Reportagem do iG flagrou diversos casos de arbitrariedades cometidos pela PM na região central ao longo da tarde e início da noite de quinta-feira. Mais de 230 foram detidos em SP
Uma unidade da Tropa de Choque atravessava a avenida
Paulista, em São Paulo, por volta das 20h, quando uma moça negra usando
camiseta branca com uma cruz preta fez um apelo da calçada, perto da
esquina com a rua da Consolação, onde se encontravam pelo menos outras
20 pessoas: “Por favor, não machuquem os meninos, eles não fizeram nada
contra vocês”. Um policial retardatário ouviu o apelo e respondeu.
“Então toma, sua hipócrita filha da p...”, e atirou uma bomba de gás
lacrimogêneo.
Vídeo: Veja imagens e personagens do confronto desta quinta-feira em SP
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O efeito da fumaça atingiu todos que estavam na
calçada. Uma senhora aparentando ter mais de 60 anos passou mal e foi
carregada pelos colegas para dentro de um prédio. Os outros saíram
correndo. A maioria era composta por trabalhadores que ficaram presos na
Paulista depois do trabalho sem conseguir voltar para suas casas.As estações de Metrô da principal avenida da cidade
fecharam os portões. Os seguranças escolhiam quem podia entrar pela cara
e pelas roupas. O comércio fechou as portas por orientação da Polícia
Militar, que impediu o tráfego de pessoas em vários pontos e os barrados
no metrô se aglomeravam nas calçadas.Algumas vezes os trabalhadores eram confundidos com
grupos de manifestantes e viravam alvos das balas de borracha, bombas de
efeito moral e gás. Pessoas choravam, tentavam se esconder e andavam
com os braços erguidos para evitar a violência policial.A reportagem do iG
flagrou diversos casos de arbitrariedades cometidos pela PM na região
central ao longo da tarde e início da noite de quinta-feira.Um homem também negro, com camiseta de listras
horizontais, foi detido violentamente depois de reclamar da falta de
diálogo do governador Geraldo Alckmin (PSDB) no Largo do Patriarca,
ainda antes do início da marcha.O auxiliar de escritório Valdemir de Souza, 21 anos,
levou um tapa na orelha de um PM na calçada da rua da Consolação. “Tira
essa máscara e mostra a cara seu filho da p...”, gritava o policial
enquanto o espancava.Souza não estava mascarado. Ele colocou a camiseta preta
no rosto para evitar os efeitos do gás lacrimogêneo e nem sequer
participava do protesto.“Acabei de sair do trabalho e estou tentando voltar para casa. Nem sei porque apanhei”, disse ele.Daniel Klein, professor de Economia da PUC-SP, e outras
duas pessoas foram detidos simplesmente por gravarem a ação da PM com
seus tablets e celulares na Praça Roosevelt.A reportagem também flagrou outras cinco pessoas sendo levadas pela PM por chamarem os policiais de fascistas.“O único jeito de não ser preso hoje é andar com as mãos
para cima e calado”, disse o advogado Estevão da Cunha. Ele recebeu uma
reprimenda e quase foi preso por gritar “violência não”.
Fonte: ultimosegundo.ig.com.br
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