O juiz Glauco Eduardo Soares Fernandes lê a sentença para os réus
O
zootecnista Ricardo Athayde Vasconcelos, 58, foi condenado, na noite
desta terça-feira, a 14 anos de prisão pelo homicídio duplamente
qualificado – motivo fútil e sem chance de defesa da vítima – do ator,
coreógrafo e bailarino Igor Leonardo Xavier, 29, em março de 2002, em
Montes Claros, na região Norte de Minas. Como já respondia em liberdade,
ele poderá permanecer solto. Seu filho, o bacharel em direito Diego
Rodrigues Athayde, 29, foi absolvido, como pediu a promotoria durante o
julgamento, na capital.
Durante a tarde, o caso sofreu uma reviravolta depois que o promotor Gustavo Fantini declarou que a motivação do crime pode ter sido passional e que Vasconcelos teria um relacionamento com o bailarino. “Não se pode afirmar se ele cometeu o crime por ciúmes ou para tentar esconder a história que eles tinham”, disse o promotor, ressaltando que o homicídio aconteceu por motivo fútil, e não por questões morais.
Durante a tarde, o caso sofreu uma reviravolta depois que o promotor Gustavo Fantini declarou que a motivação do crime pode ter sido passional e que Vasconcelos teria um relacionamento com o bailarino. “Não se pode afirmar se ele cometeu o crime por ciúmes ou para tentar esconder a história que eles tinham”, disse o promotor, ressaltando que o homicídio aconteceu por motivo fútil, e não por questões morais.
A declaração causou surpresa porque o
assassinato era, até então, tratado como o primeiro do país em que o réu
admitiu que a motivação era a homofobia. O defensor de Vasconcelos, o
advogado Maurício Campos, negou a relação entre os dois e também que o
crime tenha sido motivado pela orientação sexual da vítima, o que daria a
conotação de motivo fútil.
Segundo ele, o zootecnista deu vários
disparos no bailarino após flagrá-lo apalpando as partes íntimas de seu
filho, na época com 18 anos. O advogado pediu, em mais de uma ocasião,
que os jurados refletissem se o assédio sexual a um filho pode ser
considerado um motivo fútil, em uma tentativa de diminuir a pena para o
crime.
Vasconcelos se separou da mulher há três
anos e tem um outro filho. Apesar de ter dito alimentar um “horror a
homossexuais” durante o inquérito, ele não foi questionado sobre o tema
em plenário, já que formalmente respondia por homicídio, sem menção a
homofobia. Ele também não foi perguntado se é homossexual. No
depoimento, manteve a tese da defesa do filho. “Aquela cena me deixou
atordoado. Peguei as duas armas e tropecei quando fui em direção a ele
(Igor), aí houve o primeiro disparo acidental. Chegamos a cair no chão e
entrar em luta corporal, e aí vieram os outros tiros”.
A mãe da vítima, Marlene Xavier, disse
que aguardava por essa condenação há muito tempo e que se sente aliviada
com a decisão. "Eu confio na Justiça. Esse é apenas um primeiro passo
contra a homofobia. Espero que isso seja levado como uma bandeira em
outras casos como est
fonte: emcimadanoticia.com
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