SECA - A previsão
meteorológica para o Norte de Minas não é das mais alentadoras. Chuva
escassa, socorro oficial inexistente e há risco iminente de continuidade
dos prejuízos na pecuária e lavoura. Segue-se para o quarto ano de
longa estiagem.
ÁGUA - Ontem, o
supervisor operacional da Copasa, Soter Magno Carmo, em entrevista à
Rádio Educadora (AM 670), afirmou que o Norte de Minas pode virar mesmo
um grande deserto. A começar pela destruição de todos os cursos de água,
veredas e nascentes, eliminação de matas ciliares e de topo, “e o que o
homem fez nas décadas de 1960, 1970, 1980 e até 1990, inclusive com
recursos e programas do governo federal e governo estadual, repercute
agora”. Soter Magno referiu-se a programas como o Pró-Várzea, do governo
federal, que financiou esvaziamento das várzeas e veredas para plantar
arroz, e a monocultura do eucalipto, que foi implantada sem qualquer
critério preservacionista. “Destruíram tudo sem dó nem piedade,
invadindo áreas que deveriam ser preservadas, como nascentes.”
PÓ - Segundo Sóter
Magno o Norte de Minas não tem mais rios caudalosos, a não ser o São
Francisco que também sofre com a degradação. “Em Montes Claros existia o
Verde Grande, que está cortado em várias partes e conseguirá sobreviver
com a construção de barramentos e a Barragem de Congonhas é a solução
para aquele rio e também para abastecer Montes Claros”. A Barragem de
Congonhas garantirá água para o rio Verde Grande e para a Barragem de
Juramento, hoje com apenas 20% da sua capacidade: “estamos com 80% a
menos de água na Barragem de Juramento, enquanto a cidade não para de
crescer, inclusive para o alto, verticalizando-se”.
CORTE - Conforme o
supervisor da Copasa falta também consciência ambiental à população que
deveria consumir racionalmente a água tratada. “Nós vivemos eras
distintas no Norte de Minas, mas todas foram devastadoras para a região.
Houve época do ouro branco, o algodão, que motivou devastação sempre
precedente de Janaúba a Espinosa. Virou cenário de deserto, depois que a
cotonicultura morreu. Veio o ouro preto, o carvão, que derrubou o
cerrado, mais tarde o plantio de eucalipto sem qualquer critério
preservacionista, acabando com veredas, nascentes e pequenos cursos de
água, sem se falar na flora e na fauna. Vou citar os municípios de Rio
Pardo de Minas e Taiobeiras, que vivem séria crise de abastecimento de
água. O rio Pardo, antes caudaloso, está caminhando para a morte, como
também estão morrendo os rios Traíras, São Lamberto, Pacuí, que nascem
em Montes Claros. É o preço que se paga hoje pela política de destruição
e de ganância de tempos passados.”
CANO - Soter Magno
explicou que a Barragem de Congonhas é que manterá Montes Claros
abastecida, gerando também progresso socioeconômico, pois nenhum
empreendimento existe sem água. Hoje, a cidade tem 120 mil ligações,
consumindo 900 litros de água por segundo, e ainda convivendo com a
verticalização, que exigirá muito mais investimentos e também novo
planejamento de infraestrutura por parte do município.
FÉ - Estudos do
meteorologista Ruibran dos Reis apontam que choverá no Norte de Minas
menos ainda. Nos dois últimos anos, a precipitação, segundo esses
estudos, foi menor entre 30% a 40% em relação ao ano de 2010. Quando a
chuva veio, ela foi concentrada. O mesmo fenômeno ocorre neste ano,
infelizmente. A previsão não é das melhores. E há alguns anos, a chamada
chuva de broto, em setembro, não acontece mais.
Benedito Said - Coluna Jornal de Notícias
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