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Emperrado

Ibope e Datafolha: Aécio não decola!
Por Altamiro Borges
O senador Aécio Neves não está atolado apenas com a descoberta do aeroporto privado do seu titio em Cláudio, construído com R$ 14 milhões dos cofres públicos de Minas Gerais. O cambaleante presidenciável do PSDB também está com dificuldades de decolagem na sua candidatura. A pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira (22) apontou que Dilma Rousseff segue na liderança da corrida sucessória com 38% das intenções de voto. Já o ex-governador mineiro, que bancou o “aecioporto”, aparece com 22%. Na comparação com a sondagem anterior do mesmo instituto, a petista caiu um ponto e o tucano subiu um ponto, dentro da margem de erro. Já o dissidente Eduardo Campos, perdeu dois pontos e agora tem 8% das intenções de voto; os demais candidatos somam 7%. Nesta fotografia do momento, Dilma Rousseff seria reeleita já no primeiro turno.
A pesquisa do Ibope apresenta resultados parecidos com a do Datafolha, divulgada na última quarta-feira (16). Nela, a presidenta aparecia com 36% das intenções de voto no primeiro turno; Aécio tinha 20%; e Campos somava os mesmos 8%. A diferença é que a Folha tucana, do mesmo grupo empresarial do Datafolha, forçou uma leitura distorcida sobre o segundo turno, apresentando um estranho empate técnico entre Dilma e Aécio (44% a 40%). Esta abordagem encheu de ânimo os tucanos, embriagou o senador mineiro-carioca e até ressuscitou FHC. Ela também serviu para outro objetivo: encher os cofres do PSDB, que já arrecadou entre os ricos empresários o que foi fixado como gastos da campanha eleitoral de 2014 – R$ 290 milhões.
Este entusiasmo, porém, não resiste aos fatos – e nem precisava da implosão do “aecioporto”. Numa análise mais realista do que a de seus patrões, o jornalista Fernando Rodrigues já havia publicado, em 4 de julho, um artigo que relativizava o otimismo do cambaleante tucano. Com base numa série histórica de pesquisas, ele demonstrou que “o desempenho do senador Aécio Neves (PSDB), nesta fase da campanha, é equivalente ao recorde negativo dos candidatos da oposição em segundo lugar em todos os ciclos eleitorais desde 1994”. Ele chegou a esta conclusão ao analisar os resultados da pesquisa anterior do “Datafalha”, em que o mineiro aparecia com 20% das intenções de voto – quase o mesmo percentual deste novo levantamento.
“Esse percentual só foi registrado por José Serra em julho de 2002, quando também era candidato da oposição – o tucano perdeu naquele ano para Luiz Inácio Lula da Silva (PT)... Nas eleições de 1998, 2006 e 2010, o segundo colocado nesta fase da campanha (mês de julho) registrava um desempenho superior ao de Aécio. Em 98, o segundo colocado era Lula, com 28%. Em 2006, Geraldo Alckmin (PSDB) pontuava 29%. E em 2010, Dilma e Serra estavam empatados tecnicamente com 38% e 39%, respectivamente... Nas cinco eleições passadas analisadas neste post, só houve uma virada com o segundo colocado na largada da campanha chegando em primeiro lugar no final. Foi em 1994, quando FHC ultrapassou Lula. Em todas as outras disputas, quem começou a campanha como líder isolado acabou vencendo”.

PF precisa investigar aeroporto feito por Aécio: 60kg de cocaína foram apreendidos ao lado.

 
 
 
 
Vejam esta reportagem de 22/04/2012 no programa Fantástico aqui (eles não permitem compartilhar vídeo).
O Fantástico não mostrou, mas o Quedo (apelido de Tancredo Aladim Rocha Tolentino) que aparece na reportagem é primo do senador Aécio Neves (PSDB) na Cidade de Cláudio (MG), comerciante da cachaçaria Minguote que aparece na tela acima da reportagem. Aécio em entrevistas já se declarou entusiasta destas cachaças produzidas por sua família em Cláudio.
Quedo responde processo acusado de participar na intermediação da venda de habeas corpus para traficantes presos em Divinópolis. Os traficantes faziam parte de uma quadrilha que traficavam de Mato Grosso para Minas, e aguardavam julgamento após terem sido flagrados com cerca de 60 kg de pasta-base de cocaína.
A cocaína havia sido apreendida em um sítio no distrito de Marilândia, a apenas 24 km do Aeroporto de Cláudio, construído por Aécio.
De acordo com seu depoimento na PF mostrado no Fantástico, Quedo intermediou o pagamento de propina de um advogado dos traficantes para o desembargador Hélcio Valentim de Andrade Filho dar habeas corpus, e ganhou comissão para isso. Os traficantes que conseguiram habeas corpus fugiram, não prestaram mais contas à justiça, e podem estar cometendo crimes nas ruas cujas vítimas somos todos nós, cidadãos.
O desembargador, agora afastado, chegou ao cargo no Tribunal de Justiça de Minas Gerais em 2005, portanto nomeado por Aécio, quando era governador.
Não vamos fazer como Joaquim Barbosa e deturpar a teoria do domínio do fato para jogar nas costas de Aécio atos praticados por seu primo e pelo desembargador nomeado por ele. A menos que alguém prove em contrário, Aécio não tem nada a ver com este caso, e cada um responde pelo que fez. 
Por ora, Aécio tem que explicar é porque escolheu a cidade de Cláudio para construir um aeroporto sem movimento, a 6 km de sua fazenda, se Divinópolis, cidade bem maior, já tem um aeroporto regional que atende bem a região. A distância entre os dois aeroportos em linha reta é apenas 30km e por estrada asfaltada cerca de 40 minutos. Está claro que não existe justificativa razoável para aplicar R$ 14 milhões (mais o valor ainda em aberto da indenização) do dinheiro público de Minas em um aeroporto que, aparentemente, só interessa ao uso particular do senador e de seus familiares, além da valorização das terras em torno do aeroporto.
Mas este aeroporto desperta outra questão de segurança pública. É uma pista ainda não homologada para uso, que fica sem movimento, boa parte do tempo trancada, sem funcionários, sem vigilância e sem policiamento. No entanto tem balizas e sinalização que permitem até pousos noturnos. Esse tipo de pista pode ser usada para vôos clandestinos de tráfico de drogas, de armas, contrabando, e outras coisas para a região, evitando o policiamento e fiscalização existente no aeroporto de Divinópolis.
A reportagem do Fantástico mostra que existe tráfico de drogas bem ali na região em torno do aeroporto e, não custa lembrar, o helicóptero da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG e aliado de Aécio) quando foi apreendido com quase meia tonelada de cocaína, fez escala para abastecer na região, no aeroporto de Divinópolis.
Sem fazer qualquer ilação além dos fatos conhecidos com a família de Aécio, o que seria leviano sem provas, mas não é só a ANAC e o Ministério Público que precisam investigar a construção e o uso do aeroporto. A Polícia Federal também precisa investigar que tipo de vôos e mercadorias andou passando por ali.
 
 
 
O promotor de Minas Eduardo Nepomuceno foi ouvido pela TV Globo sobre o aeroporto e disse: "É preciso entender porque houve a necessidade da construção de uma pista de pouso na cidade de Cláudio, de um aeroporto, considerando que não é uma cidade de grande porte, e sendo que a região é provida ali na cidade de Divinópolis, há 50km de distância, de um aeroporto com todas as condições de atender, aparentemente, a região".
Essa questão levantada pelo promotor desmente as declarações de Aécio Neves (PSDB) de que o caso estaria encerrado por suposta regularidade burocrática na desapropriação das terras do tio, onde foi construído o aeroporto.
Esse trecho foi ao ar (corretamente) no telejornal de menor audiência da Rede Globo, o "Bom Dia Brasil", na edição da manhã do dia 22 de julho. Note que a entrevista havia sido gravada no dia anterior (21).
Mas no Jornal Nacional (JN) da noite anterior, de maior audiência, escondeu a entrevista gravada com o promotor. Colocou apenas o repórter em frente ao prédio do Ministério Público, narrando o seguinte trecho que suaviza para o lado de Aécio Neves: "Com base na reportagem, o Ministério Público de Minas decidiu abrir uma apuração sobre a construção do aeroporto de Cláudio. O promotor Eduardo Nepomuceno de Souza afirma que vai investigar o fundamento administrativo para a desapropriação e o real interesse público para a construção".
O JN simplesmente deu sumiço à informação sobre já existir o aeroporto de Divinópolis que atende a cidade de Cláudio, escondendo do telespectador o motivo principal pelo qual Aécio está sendo questionado no MP: Ele construiu o aeroporto a 6 km de sua fazenda com dinheiro público para atender seu interesse privado?
O JN gastou um tempão lendo nota oficial de quem não quis dar entrevistas em vez de levar ao ar quem deu entrevista. E gastou o resto do tempo mostrando uma fala ensaiada (e mesmo assim saiu gaguejante) do senador tucano para se defender em frente as câmeras, focando só na suposta regularidade burocrática da desapropriação da terra do tio, sem citar o aeroporto de Divinópolis e sem citar que Aécio tem fazenda em Cláudio, onde passeia e considera o seu "palácio de Versalhes". Por isso existe também o interesse privado sendo resolvido com dinheiro público.
Depois disso, o JN não voltou mais ao assunto, apesar de Aécio ter dado outra declaração à imprensa durante a tarde, se recusando a responder se usou ou não o aeroporto de Cláudio, para não se incriminar.
A TV Globo deu um vexame para blindar o tucano comparável ao jornalismo bolinha de papel nas eleições de 2010.
 
Cidade tem 7.500 habitantes, apenas 27% das residências atendidas por rede de esgoto e muitas ruas não têm ainda um asfalto como o da pista do aeroporto, feito com recursos do munícipio

Não foi só a cidade de Cláudio (MG), onde o senador Aécio Neves (PSDB) tem propriedade rural, que teve aeroporto construído com critérios que mais atendem a conveniência privada da oligarquia política dos Neves da Cunha do que ao interesse público.A cidade de Montezuma, no norte do estado, também teve sua pista de pouso asfaltada quando o tucano era governador. A Perfil Agropecuária..Leia mais aqui
 


Cronologia: construção do aeroporto em Cláudio (MG)
 Governo de Minas pôs dinheiro em área que pertenceu a tio de Aécio em 1983 e em 2009
Pista de 1km de asfalto para aviões de pequenos e médio porte em fazenda da cidade de Cláudio (MG)
 Obra em fazenda que pertenceu a familiares de Aécio Neves (PSDB) recebeu dinheiro do governo mineiro e já era alvo de investigações. As informações são do Estadão
 
1983
Minas, comandada por Tancredo Neves, repassa Cr$ 30 milhões para a prefeitura de Cláudio, comandada por Múcio Guimarães Tolentino, cunhado do governador. O dinheiro é usado na construção de um aeroporto de terra batida na fazenda de Múcio, que alega ter acordo "verbal" com o cunhado sobre a desapropriação da área. Tancredo morre em 1985.
1995
Câmara Municipal de Cláudio recebe relatório do Tribunal de Contas sobre gastos públicos no aeroporto de terra batida. Vereadores tentaram investigar a legalidade do negócio. Pedem a Múcio que passe o aeroporto para o município e tentam convencer Risoleta Neves, viúva de Tancredo, a intervir, mas eles não têm sucesso.
2000
Vereadores vão ao Ministério Público, que abre investigação e ingressa com ação civil contra Múcio pedindo a indisponibilidade de seus bens, incluindo o terreno do aeroporto, quebra de sigilo bancário e ressarcimento ao erário. Risoleta morre em 2003.
2003
O processo contra Múcio é arquivado pela Justiça. Depois é reativado. Continua em andamento ainda hoje. Parte das acusações prescreveu, mas a Constituição veda a prescrição do ressarcimento ao erário.
2008
Minas, agora comandada por Aécio Neves, neto de Tancredo e sobrinho de Múcio, desapropria a área dentro da fazenda do tio-avô onde havia a pista de terra batida. O valor oferecido pelas terras foi de R$ 1 milhão.
2009
Governo de Minas gasta R$ 13,9 milhões na construção da pista de 1 km de asfalto para aviões de pequeno e médio porte. A obra dura um ano. A cidade vizinha de Divinópolis, a 50 km de Cláudio, já dispunha de aeroporto. Enquanto isso, Múcio contesta o valor da desapropriação.
2014
O jornal Folha de S.Paulo publica reportagem sobre a construção do aeroporto e mostra que as chaves do local continuam nas mãos dos parentes de Aécio. Fernando Tolentino, um dos filhos de Múcio, diz que o aeroporto costuma ser usado pelo tucano, cuja família tem uma fazenda que fica a 6 quilômetros da pista construída com verba do governo de Minas.
 
O aeroporto da cidade mineira de Cláudio, construído pelo governo de Minas num terreno de um parente do  candidato à presidência  Aécio Neves (PSDB) desapropriado pelo Estado de Minas pelo próprio Aécio Neves quando era governador, ainda não foi inaugurado nem está liberado para operar, mas já teve batismo oficial. Assembleia aprovou iniciativa de deputado antes que obra em Cláudio ficasse pronta
Aeroporto construído pelo então governador de Minas, Aécio Neves, em Cláudio (MG)
  Uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em 2009, determina que o local seja denominado “Aeroporto Deputado Oswaldo Tolentino”, nome de um tio-avô de Aécio.
Na semana passada, quando a reportagem da Folha esteve no aeroporto de Cláudio, a 150 km de Belo Horizonte, não havia placa ou indicação que revelasse seu nome. As informações estão no jornal Folha de SP
 
Já falecido, Oswaldo era irmão de Múcio Tolentino, 88, outro tio-avô do presidenciável e dono do terreno onde o governo de Minas construiu o aeródromo. A obra custou R$ 14 milhões e foi feita quando Aécio era o governador.
 
A área foi desapropriada, mas o tio de Aécio contesta o valor proposto pelo governo para a indenização. O Estado obteve a posse do terreno, mas não o registro, que ainda está em nome de Múcio.
 
Conforme a Folha mostrou no domingo (20), o aeroporto era controlado na prática por familiares de Aécio, que guardavam as chaves do portão e autorizavam pousos e decolagens. Segundo um primo do presidenciável, a pista recebe voos semanalmente e é usada pelo próprio Aécio sempre que ele visita a Fazenda da Mata, refúgio familiar que fica a 6 km do local.
 
Aécio divulgou nota afirmando que a construção seguiu critérios técnicos e que seus familiares não foram beneficiados com a obra. Ele nega qualquer irregularidade.
 
A lei 18.386, que batizou o aeroporto, foi apresentada na Assembleia pelo agora deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG), aliado de primeira hora do senador tucano.
 
No projeto de lei, ele justificou a decisão de batizar o aeroporto com o nome do parente do então governador de Minas: “[Presta] justa homenagem ao ex-deputado Oswaldo Tolentino, um dos filhos mais ilustres do município, que foi o primeiro claudiense a nele pousar com seu próprio avião, de nome Aeronca, em meados de 1953″.
 
Em setembro de 2009, um ano antes da conclusão da pista, o então governador Aécio Neves promulgou a lei, batizando o aeroporto de Cláudio com o nome de seu tio Oswaldo Tolentino.

Fonte: emcimadanoticia.com

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