TRF-4 marca para 27 de novembro julgamento de Lula no caso do sítio de
Atibaia
Apelação da defesa do ex-presidente foi liberada na última terça (5)
pelo revisor dos processos da Lava Jato na 8ª Turma, Leandro Paulsen.
O julgamento da apelação do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo do sítio de Atibaia será
realizado às 9h do dia 27 de novembro, uma quarta-feira, na sede do Tribunal
Regional da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre. A data foi marcada pela secretaria
da 8ª Turma, e foi divulgada pelo tribunal nesta sexta (8).
A apelação da defesa do ex-presidente
já estava liberada
desde terça (5). O revisor dos processos da Lava Jato na 8ª
Turma, desembargador Leandro Paulsen, pediu a marcação da data.
Conforme o TRF-4, será julgada
primeiramente a Questão de Ordem para decidir se a ação deve ou não voltar para
a fase das alegações finais com a anulação da sentença da 13ª Vara Federal de
Curitiba. No dia 29 de outubro, o Superior Tribunal de Justiça suspendeu
esse julgamento, com o argumento de que o pedido deveria ser
analisado junto com a apelação.
Caso o trâmite normal do processo
seja mantido, a turma avança para a análise do mérito.
Lula foi condenado
a 12 anos e 11 meses em primeira instância neste processo por
corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro, em fevereiro deste ano. Seus
advogados recorreram pedindo a absolvição. O Ministério Público Federal, por
sua vez, recomenda
o aumento da pena.
Na época da manifestação do MPF, a
defesa de Lula emitiu nota afirmando que o ex-presidente sofre uma
"perseguição política", e que o processo é "viciado pela
parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro".
O relator do processo, desembargador
João Pedro Gebran Neto, entregou
seu voto sobre a apelação no dia 11 de setembro. O conteúdo é
sigiloso. Além dele e de Paulsen, a 8ª Turma também é composta pelo
desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz.
Prisão
A sentença do sítio de Atibaia é a
segunda condenação de Lula na Lava Jato. O
ex-presidente cumpre pena na Polícia Federal de Curitiba por
corrupção e lavagem de dinheiro no caso triplex do Guarujá (SP), desde abril do
ano passado.
Em setembro, o
MPF pediu a progressão do regime do ex-presidente à
Justiça. Lula, no entanto, se recusou a sair da prisão. Em
carta, ele disse que não aceita "barganhar" por
liberdade.
Entretanto, após a decisão do Supremo
Tribunal Federal (STF) de derrubar
a prisão após condenação na segunda instância, em julgamento que
terminou na noite de quinta-feira (7), a
defesa de Lula pediu à Justiça que ele seja solto.
O pedido será analisado pela juíza
federal Carolina Lebbos, em Curitiba, que é a responsável pela execução penal
de Lula.
Outros réus no caso
do sítio de Atibaia
Outras 12 pessoas foram denunciadas
no processo. Veja aqui como
ficaram as penas na primeira instância.
Marcelo Odebrecht, ex-presidente da
Odebrecht, teve a condenação suspensa por causa do acordo de delação premiada.
Agenor Franklin Medeiros, ex-executivo da OAS, teve a acusação extinta. Rogério
Aurélio Pimentel, ex-assessor especial da Presidência, foi absolvido.
Nove réus recorreram ao TRF-4 contra
as condenações. Alexandrino de Alencar, ex-executivo da Odebrecht, não apelou.
O procurador do MPF entende que os
réus Carlos Armando Guedes Paschoal, ex-diretor da Odebrecht, e Emyr Diniz
Costa Junior, ex-engenheiro da empreiteira, devem receber perdão judicial. Os
dois são colaboradores.
Denúncia
De acordo com o Ministério Público
Federal, Lula
recebeu propina do Grupo Schain, de José Carlos Bumlai, e das
empreiteiras OAS a Odebrecht por meio da reforma e decoração no sítio Santa
Bárbara, em Atibaia (SP), que o ex-presidente frequentava com a família.
A acusação trata do pagamento de
propina de pelo menos R$ 128 milhões pela Odebrecht e de outros R$ 27 milhões
por parte da OAS.
Para os procuradores, parte desse
dinheiro foi usada para adequar o sítio às necessidades de Lula. Segundo a
denúncia, as melhorias na propriedade totalizaram R$ 1,02 milhão.
O MPF afirma que a Odebrecht e a OAS
custearam R$ 850 mil em reformas na propriedade. Já Bumlai fez o repasse de
propina ao ex-presidente no valor de R$ 150 mil, ainda conforme o MPF.
Segundo o MPF, Lula ajudou as
empreiteiras ao manter nos cargos os ex-executivos da Petrobras Renato Duque,
Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada, Nestor Cerveró e Pedro Barusco, que
comandaram boa parte dos esquemas fraudulentos entre empreiteiras e a estatal,
descobertos pela Lava Jato.
fonte: g1.globo.com
fonte: g1.globo.com
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