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O MENSALÃO DE SARAIVA

O balcão de negócios de Saraiva Felipe
Saraiva Felipe, o paraquedista e amigo íntimo do foragido ex-prefeito Tadeu Leite e do caloteiro Ruy Muniz
O deputado federal Saraiva Felipe (PMDB-MG) foi ministro da Saúde de Lula entre 2005 e 2006. Nenhuma realização significativa marcou sua passagem pelo cargo. Para Saraiva, no entanto, não foi um tempo perdido. Incorporou contatos valiosos que fez na burocracia — e os tornou rentáveis, segundo ele mesmo diz. Presidente do PMDB mineiro, Saraiva transformou seu quinto mandato num dos mais chocantes balcões de negócios de que se tem notícia. Seu foco de atuação é a indústria farmacêutica.
A Revista VEJA teve acesso a uma gravação em que Saraiva, com toda a sem-cerimônia possível, abre o jogo a um interlocutor que o procurou, supostamente, para que ele ajudasse um laboratório que queria fornecer medicamentos para o Programa Farmácia Popular: “Tem dois tipos (de trabalho): ‘Você me ajuda e, se der certo, eu te dou não sei o quê; e a outra forma é como eu trabalho para a Interfarma e a Hypermarcas: ‘Nós damos uma ajuda mensal e você, diante das demandas, encaminha aqui e ali ”. Numa palavra, Saraiva assume sem meias palavras que topa um mensalão.
A gravação, feita em Belo Horizonte, é de fevereiro deste ano. Nela, Saraiva promete ao interlocutor, que se apresentou como emissário de um grande laboratório, abrir as portas do Ministério da Saúde e da Anvisa.

Escândalos dos sanguessugas
Ex-ministro da Saúde, Saraiva Felipe (PMDB-MG) teve duas ligações com a máfia dos sanguessugas apontadas: fez emendas que beneficiaram o esquema e nomeou como sua assessora uma ex-funcionária da Planam, Maria da Penha Lino. Segundo os Vedoin, cabia a ela azeitar a aprovação dos projetos da Planam e a execução de emendas que interessavam à empresa. De acordo com o empresário, a nomeação de Maria da Penha foi feita dentro da 'cota' do ministro.
O que aconteceu
Saraiva negou envolvimento e disse que a nomeação de Maria da Penha Lino atendeu a um pedido do líder do PMDB na Câmara, Wilson Santiago. Este, por sua vez, disse que atendeu a um pedido do deputado José Divino. E ficou por isso. A CPI alegou falta de provas e poupou Saraiva de seu relatório - bem como os demais ex-ministros citados: José Serra e Barjas Negri, do PSDB, e Humberto Costa, do PT. Nenhum ex-ministro foi denunciado pelo Ministério Público. Maria da Penha foi: ela responde a processo por formação de quadrilha na Justiça Federal do Mato Grosso.
Entenda o caso
Em maio de 2006, a Polícia Federal desmontou um esquema de corrupção envolvendo nada menos que 87 deputados e 3 senadores de 10 partidos. A fraude funcionava assim: os parlamentares apresentavam emendas ao Orçamento da União solicitando a compra de ambulâncias para as suas regiões, em troca de propina paga pela empresa Planam, de Darci e Luiz Antonio Vedoin, que vendia os carros a preços superfaturados. Tudo com ajuda de servidores do Ministério da Saúde, que autorizavam a liberação de verbas. Em troca do benefício da delação premiada, o operador do esquema, Luiz Antonio, revelou os detalhes à Justiça. Segundo as investigações, a fraude ocorreu na compra de mais de 1.000 ambulâncias para prefeituras de seis estados e ao longo de cinco anos causou prejuízos de 110 milhões de reais. No Congresso, a CPI dos Sanguessugas pediu a abertura de processo contra 69 deputados e 3 senadores, mas ninguém foi punido. Na Justiça, o caso tem mais de 500 réus, incluindo parlamentares, prefeitos, servidores e empresários. A grande maioria dos processos tramita no Mato Grosso, sede dos Vedoin. Passados seis anos, apenas 66 processos foram julgados, com 39 condenações, incluindo a de cinco ex-deputados, todas em primeira instância. Só duas sentenças estão em fase de execução, uma contra uma funcionária da Planam e outra contra um assessor parlamentar.
Condenado a 2 anos de cadeia, recorreu.
Nenhum parlamentar perdeu o mandato, mas a repercussão do caso levou muitos a desistir da reeleição: apenas cinco voltaram à Câmara em 2007. Na área jurídica, o total de acusados foi maior. Na Justiça Federal de Mato Grosso foram abertos 285 processos criminais contra mais de 300 acusados. Segundo o Ministério Público Federal, 31 sentenças foram proferidas, sendo 22 condenações. O único ex-deputado atingido foi Cleuber Carneiro (DEM-MG), condenado em 2010 por corrupção passiva. A pena de dois anos de prisão foi convertida em prestação de serviços e a defesa recorreu.
Já na área cível, foram abertos mais de 100 processos por improbidade administrativa em diversos Estados. As condenações são poucas. A primeira ocorreu em agosto de 2009, contra o ex-deputado federal Cabo Júlio (MG), que recorreu. Acusado de integrar o núcleo do esquema, Nilton Capixaba (PTB-RO) retornou à Câmara neste último mandato
FONTE: revista veja.

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