Em audiência pública da ALMG, artistas e produtores culturais defenderam o Vale-Cultura e apresentaram reivindicações.
A
reunião faz parte de uma série de debates para discutir a implantação,
em Minas, de lei federal que instituiu o programa de cultura do
trabalhador e criou o Vale-Cultura - Foto: Alair Vieira
A construção de um teatro, incentivos
financeiros para manutenção da banda municipal e mais investimentos nas
ações de cultura regional como um todo foram algumas das reivindicações
apresentadas nesta quinta-feira (17/10/13), durante audiência pública da
Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG),
realizada em Montes Claros (Norte de Minas).
Convocada a requerimento do presidente
da comissão, deputado Elismar Prado (PT), a reunião faz parte de uma
série de debates que a comissão vem fazendo para discutir a implantação,
em Minas Gerais, da Lei Federal 12.761, de 2012, que instituiu o
programa de cultura do trabalhador e criou o Vale-Cultura.
O benefício tem o objetivo de permitir o
acesso de pessoas de baixa renda a bens e serviços culturais. Quem
recebe até cinco salários mínimos por mês (ou seja, R$ 3.390,00) tem
direito a um vale de R$ 50,00 para comprar livros e adquirir ingressos
de cinema e espetáculos culturais diversos. O projeto abrange também
trabalhadores de faixas salariais mais altas, desde que todos os de
faixa inferior já tenham sido beneficiados.
De acordo com o artigo 10º da lei, até o
exercício de 2017, ano-calendário de 2016, o valor despendido pelas
empresas a título de aquisição do Vale-Cultura poderá ser deduzido de
seu imposto de renda. Por sua vez, o trabalhador que recebe um salário
mínimo terá desconto de 2% em sua folha de pagamento. Os que estão na
faixa entre um e três salários descontam 4%, com índices progressivos,
até 10%, de acordo com a faixa salarial.
Deputados destacam importância do Vale-Cultura
Além do deputado Elismar Prado, também
participou da reunião o deputado Luiz Henrique (PSDB), bem como
artistas, produtores, gestores culturais e políticos locais. O deputado
Luiz Henrique, que presidiu a reunião, disse que vai apresentar
requerimento propondo ao Ministério da Cultura a inclusão da gastronomia
entre os setores a serem apoiados pela lei, considerando a importância
desse segmento na cultura regional de Minas Gerais.
Ele elogiou a proposta do Vale-Cultura,
uma iniciativa federal, acrescentando que também o Governo do Estado tem
apresentado diversos projetos buscando valorizar a cultura. Citou, como
exemplo, a reativação do Conselho Estadual de Cultura e os recentes
projetos de isenção fiscal que visam descentralizar a cultura e
valorizar os projetos e atividades culturais no interior do Estado.
O deputado Elismar Prado apresentou
pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), segundo a
qual 83% dos entrevistados nunca foram ao cinema, 69% nunca leram um
livro e 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança. Ele destacou, por
isso, a importância da lei que criou o Vale-Cultura.
Lideranças conclamam empresários a aderirem ao Vale-Cultura
A audiência foi realizada no Centro
Cultural Hermes de Paula, cujo diretor, João Jorge Dias Soares, louvou a
iniciativa, conclamando a classe empresarial a aderir ao projeto. O
diretor do Colégio Biotécnico de Montes Claros, Laudy Cézar Urcine de
Almeida, comprometeu-se a cadastrar a instituição de ensino que dirige
como a primeira empresa local a aderir ao Vale-Cultura.
A exemplo do diretor do Centro Cultural,
Gislayne Lopes Pinheiro, representante da Associação Comercial,
Industrial e de Serviços de Montes Claros, e Carlos Alberto de Campos
Falcão, assessor da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais
(Fiemg Regional Norte), também defenderam a participação da classe
empresarial no projeto.
A maestrina Maria Lúcia Avelar, da
Orquestra Sinfônica de Montes Claros e representante do Conservatório
Estadual de Música, parabenizou o Governo Federal pela criação do
Vale-Cultura e a iniciativa da ALMG no sentido de difundir o projeto e
levar a discussão a todo o Estado.
O professor Anelito de Oliveira, da
Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), destacou a
relevância da medida. “A cultura, no Brasil, sempre representou a
resistência histórica contra as injustiças sociais e o projeto de
dominação das elites”, afirmou. Ele cumprimentou a ALMG e os deputados
da Comissão de Cultura pela difusão do projeto, que, segundo ele, se
propõe a romper com um esquema de exclusão histórico.
Dhéborah Patrícia Alves, diretora de
Juventude da Secretaria Municipal de Esportes, Juventude e Cultura,
ressaltou a importância da cultura para afastar os jovens das drogas e
da marginalização e sugeriu a criação, também, de um Vale-Esporte.
ALMG
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